FOTOS

Sandra Barsotti
Cauê Bonifacio entrevista a atriz Sandra Barsotti que conta um pouco de sua trajetória


Sandra Barsotti e Miwa Yanagizawa na novela Viver a Vida

Cauê: Como começou a carreira?

Sandra: Comecei ainda muito jovem  no teatro amador atuando em peças infantis. Mas essa profissão já estava na aveia desde o ginasial, quando eu estudava no Imaculada Conceição, lá conheci a Sandra Bréa. Eu, do 2°ano A; ela, do 2°ano B. E era muito engraçado, uma coisa de personalidade, parece que desde  pequeninas, as coisas já estavam propensas a nos acontecer. Quando tinha os eventos no colégio so dava nós duas, eu lia pela minha turma, ela lia pela dela. Sem querer, éramos as exibidas do pedaço. Anos mais tarde trabalhamos juntas no filme As Noites do Duro de Adriano Stuart, depois nos encontramos nas novelas Ti Ti Ti em 1985 e Gente Fina em 1990.  Meu primeiro filme foi aos 20 anos ja como protagonista “Romualdo e Juliana “ de André Williéme. Na televisão comecei e meados de 1975 na novela Pecado  Capital de Janete Clair. No entanto meu maior sucesso na TV aconteceu em 1976 com a Novela O Casarão de Lauro Cesar Muniz. Meu personagem era a Carolina que na idade madura era vivida pela saudosa Yara Cortez. Participei também das novelas Um Sol a Mais, Dulcinéia vai a Guerra,Os Imigrantes,Tudo ou Nada, A  Lua me Disse, Brida e Viver a Vida.

Cauê: Fale um pouco da sua experiência com cinema?

Sandra: Nossa, eu devia ter uns 5 anos, estávamos assistindo a um filme das mulheres amazonas. Lembro-me que a atriz torturava um ator preso pelos braços, fiquei assustada com as cenas. Mais adiante quando fui fazer cinema, meu pai que já tinha sido dono de um cinema, não gostou da idéia. Ai logo no meu segundo filme “Quando As Mulheres Paqueram” eu aconteço num filme de pornochanchada e era dublada pela atriz Norma Blum. Imagina com o ele ficou. Participei também do filme “A Dificíl Vida fácil”. Os convites para os filmes foram acontecendo e fazendo  sucesso. Eu valia muito e não sabia.Tive a oportunidade de trabalhar com grandes atores, Ney Latorraca, Perry Salles,Cristina Aché, Odete Lara,Carlos Kroeber, com o saudoso Grande Otelo que eu adorava e que apesar de trabalharmos juntos nunca contracenamos, então eu sempre falo que nunca trabalhei com ele.Nossa trabalhei com muita gente boa.

Cauê: Você recusou a protagonizar o filme Superfêmea porque? 

Sandra: O Aníbal Massaini. Ele foi super delicado, parecia até que nós éramos estrelas de Hollywood. Mandaram passagem para mim, me botaram em um hotel pra eu ler o roteiro e depois nós conversaríamos. Para eles era certíssimo eu assinar o contrato, fazer esse filme. Um filme super bem produzido, um cuidado. Mas havia uma piada, um momento de uma cena que eu lembro até hoje. Eram gaiolas com algumas aves, e as personagens iriam fazer uma piada a respeito.  Eu  não gostei daquilo ai eu disse não vou fazer, não.“Porque tem essa cena assim, assim, assim.” Em vez de ele dizer “Não, Sandra...”, me explicar, ou então contornar, modificar, tirar aquela piada, não, ele ficou com cara fechada. Deve ter pensado “Paguei o hotel, tudo para essa mulher. Jantar, almoço, e ela vem aqui me dizer que não vai fazer o filme, o que esta menina está pensando? Eu fui embora. Aí eles convidaram a Vera Fisher pra fazer e fez muito sucesso.

 Cauê: Você sempre quis ser atriz?

Sandra: Não, na verdade eu queria ser médica. Só que eu não passei no vestibular. E pra piorar também tive uma paixonite que não se resolveu. Até que conheci um diretor de cinema Renato Fernandes cunhado de uma vizinha da minha avó e com ele participei do meu primeiro filme, só  que na minha cabeça, eu achava que era um anúncio o que eu iria fazer. Mas era um longa-metragem e mais “  eu ia ser a protagonista”Você tem noção disto.No primeiro dia de filmagem a família toda tava la, menos meu pai, que nessa época já estava separado da minha mãe e nem sabia o que tava acontecendo e quando me deram a frase que eu ia ter que falar, fiquei toda nervosa e pensei virei atriz.

Cauê: Como foi parar na televisão?

Sandra: Nós, atores de cinema, ganhamos outros espaços. Eu fui chamada para a primeira versão de “Roque Santeiro”, em 1975, que acabou sendo proibida pela censura. Em seguida fui convidada a fazer a Gigi de “Pecado Capital”, onde realmente aprendi a ser atriz. Eu não conseguia chorar em cena, então resolvi fazer manha. E deu certo. Depois fui protagonista de “O Casarão”, que foi uma novela linda. Graças à novela, consegui trabalhos em Portugal. Depois fui parar  no teatro. Enfim, um celeiro de futuros acontecimentos e que é história. Fico meio chateada às vezes, e isso já acontece há anos, quando um jovem diz: “Você fez filme pornográfico!” Eu falo “Nãããão!” Mas é sem querer. Os meninos que têm menos informação acham que “pornochanchada” é pornográfico, sexo explícito. Então, o que se percebe no fim, é que esse termo é resultado de preconceito de algum crítico. Passou a ser positivo, no sentido de vender aquele produto, mas criou distorções para quem, no final, acaba sem conhecer nada das coisas. 

Cauê: Já conhecia essa maravilhosa atriz a um bom tempo. Perdemos contato por um tempo, nos reencontrando aqui no RJ eu não poderia deixar de entrevistar Sandra Barsotti  carinhosamente chamada de Sandrinha. Aqui vai o meu muito obrigado pela entrevista.

Sandra: Eu que agradeço a você e a Revista City Penha pelo carinho.


Legenda das Fotos:

Foto 2 e 3: Sandra Barsotti na novela O Casarão


 

Voltar