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Com as mudanças da sociedade surgem momentos diferentes para ser mãe
por Arilton Batista



As mudanças de comportamento e padrões familiares são claramente notáveis nos dias de hoje. Há décadas, apenas os homens tinham o papel de provedores financeiros. Já às mulheres cabiam as tarefas domésticas, o cuidado e educação dos filhos. A sociedade evoluiu e, evidentemente, enxergou a necessidade de uma equiparação entre os gêneros. Na atualidade, homens e mulheres têm o poder de gerir financeiramente uma família, tendo papéis e objetivos similares e assumindo cada vez mais cargos equivalentes no mercado de trabalho. E essa modificação social contribui para a concepção de novos modelos de mães, como, por exemplo, as que planejam a gestação com bastante cautela, priorizando a carreira profissional, os estudos e guardando a gravidez para um período de maior estabilidade.

 Há, no entanto, as mulheres que engravidam na adolescência, com ou sem intenção, e que, apesar das particularidades enfrentadas, podem participar com mais intensidade da vida social do filho e participando do círculo de amizades dele devido a maior proximidade da idade e pela equiparação de ideias e costumes. Outro perfil materno são as chamadas “pães”, que são mulheres solteiras ou viúvas que criam sozinhas os filhos, tendo teoricamente as funções de mãe e pai. Especialistas em comportamento afirmam que, apesar de se ouvir bastante por algumas pessoas, não dá para considerar que ser mãe hoje seja mais fácil ou difícil que em outros tempos. “Não acredito ser mais fácil ou difícil, pois cada época tem as suas particularidades, necessidades, demandas. E, no geral, o ser humano se adapta a todas elas. É o que vem acontecendo no âmbito familiar”, explica a psicóloga e consultora de estilo com foco em autoconhecimento e autoestima Dra. Danyla Borobia.

Mulheres que priorizam a carreira e os estudos estão em ênfase atualmente. Segundo um estudo da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgado no ano passado, a proporção de mães mais velhas no Estado de São Paulo – principalmente na capital – aumentou desde a última pesquisa, realizada em 2011, quando 32,1% das mulheres escolhiam a maternidade entre 30 e 39 anos. Para se ter ideia do crescimento dessa escala, no ano de 2000 pouco mais de 24% das mulheres optavam pela maternidade nesse período. Hoje o número é de 35,4%, mostrando os reflexos das mudanças sociais no sentido do equilíbrio dos gêneros. O maior vilão desse cenário talvez sejam as questões físicas da mulher, já que os profissionais de saúde indicam que a mulher tem maior dificuldade de engravidar quando a atinge os 30 anos. A medicina, porém, também segue em constante evolução e oferece condições de as mulheres alcançarem a gravidez mesmo com uma idade fora dos padrões.

Engravidar com mais idade, porém, pode significar que a mãe já alcançou a maioria dos sonhos e desejos planejados que tinha como prioridade, como, por exemplo, a estabilidade na carreira, a conclusão de estudos de graduação e especialização, realização de viagens e etc. “Escolher a hora de ser mãe significa que mulher já realizou a maioria de seus objetivos anteriores. Outro fator positivo de planejar e engravidar após os 30 anos é que geralmente a mãe já está estabilizada no emprego, os pais estão mais seguros em relação à educação das crianças. Não existe mais a sensação de atropelamento dos sonhos e objetivos, ou seja, os pais conseguem viver a plenitude da maternidade. Mas isso não significa que a maternidade não irá mudar a vida do casal, da mulher. Isso ocorre em qualquer fase da vida”, ressalta a Dra. Danyla Borobia.

Engravidar com menos idade, talvez na adolescência, é um susto para muita gente, que acredita ser um desperdício de tempo e de oportunidades, tendo em vista que a criação e educação de um filho exigem bastante tempo e dedicação, o que restringiria a possibilidade de crescimento pessoal e profissional da jovem mãe. Com os novos moldes familiares é natural que sociedade incentive a gravidez vagarosa, após os 30 anos, por exemplo. E de fato a criação de um filho limita algumas tomadas de iniciativas pessoais e exige ainda mais responsabilidade por parte dos pais. Segundo o Dr. Rafael Dutra, psicólogo e coordenador do Núcleo de Formação Humana e do Departamento de Educação em Direitos Humanos do Grupo Fênix de Educação, ter um filho ainda na adolescência apresenta benefícios no sentido de proximidade. “Ser mãe mais cedo pode trazer uma maior proximidade com os filhos. No entanto, ser jovem é uma questão de atitude. Claro que não é apropriado que o filho frequente os ambientes dos pais ou vice-versa, mas em alguns eventos a participação de um no universo do outro pode trazer uma proximidade positiva, principalmente para que os pais conheçam os lugares e as pessoas que fazem parte da vida dos filhos”, explica Dutra.

Filhos criados somente pala mãe são lugar comum, principalmente com a passagem dos anos de 1990, quando os divórcios aumentaram significativamente no Brasil. E essa estruturação familiar, sem a figura paterna, muitas vezes causa certo incomodo e até preocupação. Para muitos surge a indagação se a mãe, sozinha, consegue educar o filho adequadamente. Para o psicólogo Dr. Rafael Dutra, a designação do que o pai e mãe devem fazer para a formação do filho é uma questão natural e que, na ausência do pai, a figura paterna pode ser exercida por outro integrante da família e que, neste caso, o mais importante é a mãe exercer bem a sua função. “Ser uma boa mãe já é o suficiente. Uma boa mãe solteira muitas vezes oferece criação melhor do que pais e mães que vivem juntos, mas que são ausentes e distantes”, comenta.

Para o cientista político e sociólogo da Universidade de Brasília Rócio Barreto, a família hoje sofre influência de diversos setores da sociedade, como igreja, local de trabalho, bairro onde mora, locais que frequenta e que existe um apego entre pais e filhos com relação ao sexo – menina que tem mais afinidade com o pai e menino com a mãe, por exemplo – e que a ausência do pai ou da mãe pode, sim, dificultar o processo de educação da criança. A justificativa, segundo Rócio, está na cultura já enraizada em nossa sociedade. Contudo, ele defende a ideia de que é possível proporcionar uma boa criação mesmo sem a figura paterna. “Não há relação lógica entre a educação de um ou outro no desenvolvimento dos filhos. O que é necessário é a educação como um todo, onde se respeite os valores, o espaço de cada um e que não haja superproteção, o que comprometeria em muito a educação”, complementa do sociólogo.


 

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