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É preciso cuidar do verde

Neste verão, vimos árvores caindo precocemente na cidade. Bastava chuva forte para que as árvores viessem ao chão, por vezes danificando veículos e até matando pessoas. E por que isso acontece? Porque espécies não nativas são plantadas em lugares errados, raízes são concretadas, árvores sem cuidados e até mutiladas em podas mal feitas. As árvores tornam-se, portanto, um perigo.
Presidindo a Comissão do Meio Ambiente, da Câmara Municipal, em 2010, fizemos um profundo diagnóstico da situação arbórea da cidade, após realizar várias audiências públicas e reuniões técnicas com os órgãos públicos envolvidos com o serviço de arborização. O relatório mostrou, por exemplo, que a Prefeitura não dispõe de profissionais em quantidade suficiente para atender a demanda de manejo das árvores, e propôs nove diretrizes ao poder público, como aprimorar a legislação municipal (que data de 1987), reforçar o orçamento destinado ao Programa de Arborização e criar uma ‘Agência Verde’, para gerir o ‘verde’ paulistano. O relatório foi entregue ao prefeito Kassab e demais autoridades.
A despeito da lentidão e da ineficiência do poder público diante do tamanho da demanda verde, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente mantém, com um esforço hercúleo, o Programa Municipal de Arborização e ainda disponibiliza para a população publicações, entre guias, cartilhas e folders, para auxiliá-la a fazer a sua parte. Não basta plantar; é preciso escolher a melhor espécie para aquela região e ter procedimentos adequados no cuidado daquela muda. E olha que mudas não faltam! A Prefeitura tem plantando cerca de 200 mil árvores todo ano na cidade; serão 800 mil novas até 2012!
Não há dúvida alguma que São Paulo será, nos próximos anos, uma cidade verde. No entanto, é iminente o risco de a cidade viver um colapso logo adiante, devido aos problemas de manejo das árvores, como poda e corte das espécies, além do reaproveitamento dos resíduos. A cidade corre o risco de não conseguir fazer a contento a manutenção deste arsenal arbóreo.
A preocupação, no entanto, vai além da questão das árvores; diz respeito, sobretudo, ao desenvolvimento socioeconômico-sustentável da cidade, com a canalização de córregos e a criação de parques lineares para aumentar, numa cidade cada vez mais impermeável, as áreas de drenagem das águas das chuvas. Arborização envolve cuidado ambiental, com a cidade e com as pessoas. E mais qualidade de vida.


Floriano Pesaro, vereador e integrante da Comissão Extraordinária do Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo.
Site: www.florianopesaro.com.br


 

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